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A luta para que os auditores-fiscais da Receita Federal tenham as garantias essenciais ao exercício seguro de suas funções é uma das bandeiras do Unafisco Sindical. Nossa categoria exerce uma atividade de risco que, como tal, não pode ser plenamente desenvolvida sem segurança.

O AFRF tem papel fundamental no trabalho de combate à sonegação, ao contrabando e ao crime organizado e, muitas vezes, paga com a própria vida a tarefa de exigir o cumprimento da lei. A violência contra o auditor-fiscal é uma afronta ao Estado. E é ao Estado que cabe a reação, a prevenção e a punição dos culpados. Por isso o Unafisco tem cobrado da Administração Pública ações que assegurem condições de trabalho aos AFRFs e o acompanhamento das investigações de crimes e violências cometidos contra a categoria.

Nosso reconhecimento e homenagem aos colegas vítimas de violência em razão de suas atividades.

Brasília, 1981- O AFRF Carlos Alberto Glatthard Alves desaparece, a polícia encontra apenas o seu carro, os óculos e muito sangue.

Macapá, 1981 - 0 AFRF José Agripino Guedes é morto a tiros.

Vitória, 1991 – A colega Ieda Silva Valls é agredida a garrafadas.

Boa Vista, 1997 – O AFRF Nestor de Mendonça Leal é morto a tiros diante da esposa e de um filho pequeno.

Campo Grande, 1998 – O auditor-fiscal Jerônimo Freire dos Reis é morto a tiros.

Foz do Iguaçu, 1998 – O AFRF Jackson Corbari sofre um atentado a tiros.

São Paulo, 2002 – O auditor-fiscal Hélio Pimentel é seqüestrado quando chegava à sede da Receita Federal. Ele foi carbonizado e teve a cabeça e os dedos das mãos decepados.

Mundo Novo, 2003 - O carro de um auditor-fiscal é alvejado com sete tiros. No dia seguinte, em sua casa, o auditor recebe telefonema anônimo dizendo que seria melhor ele parar de “mexer com certas coisas.”

Goiânia, 2004 - O AFRF Genair Marcolino Jorge é morto a tiros na porta de sua casa.

São Paulo, 2005 - O auditor-fiscal Carlos Alberto de Moraes é executado a queima roupa.

Maringá, 2005 - O AFRF José Antônio Sevilha de Souza é executado a tiros dentro de seu carro, quando saía de casa.

 

Vídeo
Vídeo apresentado na abertura do seminário da segurança na atividade fiscal, realizado nos dias 13 e 14 de dezembro de 2005 em Maringá (PR)
Clique aqui para baixar o arquivo (23 Mb)

Atividade fiscal
Minuto de silêncio lembra AFRF assassinado em Maringá

A violência contra auditores-fiscais da Receita Federal e demais agentes de Estado tem como alvo o próprio Estado e é a ele que cabe garantir a segurança de seus servidores. "Se um infrator perceber que pode evitar a fiscalização por meio da violência contra os AFRFs, todos nós estaremos em risco", afirma o presidente do Unafisco Sindical, Carlos André Nogueira. Ele participou ontem pela manhã da solenidade de abertura do seminário "Segurança no Trabalho Fiscal", em Maringá (PR), onde, em 29 de setembro, o auditor José Antonio Sevilha foi assassinado. Sevilha foi homenageado pelos 100 participantes do evento com um minuto de silêncio.

Segurança como hábito - O seminário foi aberto pelo presidente da Delegacia Sindical de Maringá, Edair Ribeiro da Silva, que elogiou a abnegação dos colegas que trabalharam, junto com a direção nacional do Unafisco, para viabilizar o evento e destacou a presença de AFRFs de todo o Brasil. "Certamente não sairemos deste seminário como especialistas em artes marciais ou como exímios atiradores, mas a reflexão que faremos aqui nos ajudará a reforçar nossa consciência de que a segurança deve ser um hábito cotidiano", afirmou Edair.

O delegado da Receita Federal em Maringá, Décio Rui Pialarissi, elogiou a iniciativa do Unafisco de promover o debate sobre a segurança, lembrando que o Sindicato estava suprindo uma lacuna da Administração. Ele defendeu a divulgação do papel desempenhado pelos AFRFs como um fator importante para aproximar os auditores da sociedade e lembrou o trabalho que o Unafisco desenvolve nesta área.

Ontem foram realizados painéis sobre segurança jurídica na atividade fiscal e sobre segurança física e a abordagem na atividade fiscal. O seminário prossegue hoje com os painéis sobre procedimentos na atividade fiscal em situações especiais, sobre inquérito e ação penal na atividade fiscal e segurança em sistemas de informação. A cobertura completa do evento será divulgada nas próximas edições deste Boletim Informativo.

Para psicóloga, refletir sobre a realidade da atividade profissional é o primeiro passo para enfrentar conflitos

Refletir sobre os problemas enfrentados no trabalho e buscar formas coletivas para enfrentar essas situações podem não ser remédios infalíveis, mas são a melhor maneira de enfrentar o desconforto na atividade profissional. A opinião é da psicóloga do trabalho Maria Cristina Moreno Matias, palestrante do seminário "Segurança no Trabalho Fiscal", que está sendo realizado pela DEN do Unafisco e pela DS/Maringá (PR).

A psicóloga, professora da Universidade Estadual de Londrina, explica que diversos fatores contribuem para o sofrimento psíquico decorrente das relações com o trabalho. Entre eles, ela cita as relações hierárquicas, a remuneração e a natureza da atividade. "Se o seu trabalho já está prescrito de tal maneira que não há espaço para que você imprima nele a sua marca, a conseqüência é a frustração e a falta de motivação."

Pesquisa - Embora não haja um estudo sobre os AFRFs, uma pesquisa realizada em 1997 com os fiscais da Fazenda Estadual do Paraná pode fornecer algumas pistas sobre as principais queixas de quem trabalha na área. Cristina Matias relata que, entre os pesquisados, era comum o desconforto com o caráter rotineiro das atividades, que fazia com que os fiscais paranaenses se sentissem subutilizados.

Outro dado interessante é que, entre os participantes da pesquisa, era comum a pouca disposição para se apresentarem como fiscais fora do ambiente de trabalho.

Organização - Para a psicóloga, a ausência de pressão na atividade profissional é impossível. "Num certo nível, é a pressão que mobiliza, que motiva as pessoas." Ela lembra, porém, que, quando o desconforto se instala, é preciso refletir, "colocar o dedo da ferida".

Cristina Matias alerta para a armadilha dos chamados mecanismos de defesa, que levam o indivíduo a escamotear e mesmo a negar as situações de sofrimento no trabalho. "Existe sempre a tentação da saída individual, mas ela não resolve o problema. É essencial lembrar que todas as melhorias introduzidas no mundo do trabalho, ao longo dos últimos séculos, foram conquistas da ação coletiva."

 

Atividade Fiscal
Representantes da Corregedoria, Coana e Copei apresentam, em seminário, medidas para reforçar segurança

No trabalho do AFRF, a prevenção deve ser a principal medida de segurança. Essa concepção, há muito defendida pelo Unafisco Sindical, também foi expressa hoje pelos três representantes da Administração que participaram do painel "Procedimentos na Atividade Fiscal em Situações Especiais", do seminário "Segurança na Atividade Fiscal".

Luiz Fernando Lorenzi, da Corregedoria, Sérgio Luiz Messias de Lima, da Copei (Inteligência) e Ronaldo Lázaro Medina, da Coordenação Aduaneira (Coana) apresentaram as medidas que vêm sendo tomadas em suas áreas de atuação para reforçar a segurança dos servidores da SRF.

Ronaldo Medina destacou o "investimento maciço" em equipamentos que pretende intensificar a segurança nos recintos alfandegados. Vigilância eletrônica, sensores de som e movimento e monitoramento remoto estão entre as novidades. Sérgio Messias de Lima, da Copei, fez uma apresentação do Manual de Segurança Institucional da SRF.

Na parte da tarde, o tema debatido foi a segurança nos sistemas de informação, com palestra da AFRF Clara Grynberg Tochner. Um contratempo impediu o procurador da República Pedro Taques de comparecer ao evento. Ele abordaria o tema "Inquérito e Ação Penal na Atividade Fiscal".

Erro técnico não deve ser o foco das atividades de correição

O erro técnico cometido pelo servidor não deve ser o foco das atividades da Corregedoria da Receita Federal. A afirmação é de Luiz Fernando Lorenzi, representante da Coger no seminário "Segurança na Atividade Fiscal", que está sendo realizado pelo Unafisco Sindical, em parceria com a DS/Maringá.

Lorenzi acredita que o Código de Conduta que está sendo elaborado pela instituição poderá reduzir as situações que levam à abertura de inquéritos e revela que pouco mais de 20% dos procedimentos administrativos disciplinares abertos pelo órgão resultam em penalidades - de maior ou menor gradação.

"Comodidade" - Falando em nome do corregedor-geral, Marcos Melo, Lorenzi defendeu que a Coger trabalhe mais com o "juízo de admissibilidade" como procedimento prévio à instauração dos inquéritos. "Acaba sendo cômodo abrir processos, pois isso nos isentaria de responsabilidade com a suposta irregularidade." Ele reconhece, porém, que, para o servidor correto, sofrer uma investigação pode ser "devastador".

Lorenzi defendeu maior preparação para as atividades de correição, para assegurar que a instituição realize investigações "sigilosas, profissionais e eficazes". Sobre o estágio em que se encontra hoje o desempenho da Corregedoria, ele afirmou que o órgão "caminha para atingir esse patamar".

Unafisco encerra seminário com exposição sobre pleitos da categoria

O seminário Segurança na Atividade Fiscal foi encerrado às 18 horas de ontem. Antes disso, a diretora de Estudos Técnicos da Diretoria Nacional, Clair Hickmann, fez uma exposição dos dados técnicos e estatísticos que fundamentarão os pleitos da categoria na campanha salarial 2006.

Dívida do governo - Esses dados, já apresentados ao Conselho de Delegados Sindicais, no inicio deste mês, demonstram a dívida acumulada pelo governo com os AFRFs nos últimos dez anos. Além da ausência de reposição das perdas inflacionárias, o estudo do Unafisco mostra que o salário dos auditores vem caindo em comparação com o constante crescimento da atividade fiscal.

A participação percentual da remuneração dos AFRFs nos gastos com pessoal no âmbito do Ministério da Fazenda também é decrescente. "Além disso, os percentuais de reajuste concedidos a outras categorias, muito superiores aos recebidos pelos AFRFs, demonstram que os salários almejados por nossa carreira são possíveis no serviço público."

 

Carta de Maringá

 

Seminário de Segurança na Atividade Fiscal

 

Maringá foi testemunha da constatação do óbvio: a atividade fiscal é atividade de risco, por excelência. Os auditores fiscais estão constantemente expostos a riscos ao exercerem as atribuições do cargo que ocupam, em que é marcante o exercício do poder de polícia. A exposição a tais riscos é sim inerente ao cargo, e não uma opção desajuizada de determinados colegas de espírito aventureiro. Não há almoço grátis. Não há bônus sem ônus.

Vivemos um tempo de inflexão. Ou resgatamos a autoridade do cargo, com todos os riscos desse ato, ou nos tornaremos meros cumpridores de ordens.

É inegável que o perfil da atuação do auditor fiscal modificou-se profundamente nos últimos anos. As ações fiscais estão cada vez mais centradas no combate ao crime organizado.

A questão central trazida para a reflexão durante o seminário foi: como conciliar, então, o pleno exercício de nossas atribuições, com o mínimo risco para a segurança na atividade fiscal? O caminho sinalizado aponta para a busca de soluções e responsabilidades tripartite: administração, sindicato e o próprio auditor fiscal.

Ao auditor fiscal cabe parcela significativa no trato de sua segurança pessoal: conhecer, assimilar e vivenciar a cultura de segurança, fazendo-o especialmente de modo preventivo.

A intervenção sindical deve pautar-se no binômio: postura incisiva na cobrança de pronta atuação da administração frente aos casos concretos e, ao mesmo tempo, canalizar os anseios dos auditores fiscais com apresentação de agenda propositiva de sugestões.

Por determinação legal, a SRF deve atuar na repressão ao contrabando, ao descaminho, ao tráfico ilícito de drogas, à lavagem de dinheiro, à interposição fraudulenta e demais crimes contra a ordem tributária. Como o órgão encarregado destas funções de Estado poderá dar respostas adequadas a fatos como o assassinato do colega Sevilha, ocorrido aqui em Maringá, sem que tenha um cargo que efetivamente incorpore o papel de verdadeira autoridade?

É importante assim, que a Instituição esteja refletida no cargo de Auditor Fiscal, que haja não apenas sintonia entre eles, mas também uma identidade, de modo que o ocupante do cargo corporifique a própria Instituição. Só assim, a Instituição se sentirá realmente vítima de uma agressão sofrida por um de seus integrantes, e terá a motivação necessária para promover as reações adequadas. Só assim, o agressor será dissuadido da prática destas condutas, pois terá sempre a noção de que estará agredindo a Instituição, e não uma pessoa isolada.

Maringá nunca mais!

Maringá-PR, 14 de dezembro de 2005